Voltar para o Blog
Marketing10 min de leitura

Como captar clientes em direito imobiliário e usucapião

Quem procura um advogado de imóveis costuma sentir medo de perder o bem e pressa em resolver o que está parado. Veja como atender e se posicionar em direito imobiliário e usucapião dentro das regras da OAB.

Casa, mapa de terreno com divisas, escritura com carimbo e chave ao lado de um celular com conversa, representando o atendimento em direito imobiliário e usucapião

Imóvel é, para a maioria das pessoas, o maior patrimônio que terão na vida. Por isso, quem procura um advogado nessa área costuma ter dois sentimentos juntos: medo de perder o bem e pressa em resolver o que está parado. A casa sem escritura, o terreno comprado de "contrato de gaveta", o inquilino que não paga, o imóvel que ninguém consegue vender porque está em nome do avô.

É uma área com demanda estável, ticket que varia bastante e uma característica útil para quem faz marketing: as pessoas pesquisam problemas muito específicos, e quem responde bem a eles atrai leads qualificados.

Este artigo integra a série de captação por área (veja também inventário e sucessões, família e previdenciário).

Aviso

O texto resume regras gerais para orientar triagem e conteúdo. Requisitos de usucapião, registros e emolumentos variam por caso e por estado; confira a legislação e as normas do tribunal e das corregedorias locais. As referências éticas são gerais (Provimento 205/2021 e Código de Ética).

Quem procura e por quê

Os temas mais frequentes que levam alguém ao escritório:

  • Regularização de imóvel: casa sem escritura, loteamento irregular, construção sem averbação, imóvel em nome de terceiro.
  • Usucapião, judicial ou extrajudicial.
  • Compra e venda: análise de contrato, de documentação e de riscos antes de comprar; problemas depois da compra.
  • Imóvel na planta: atraso na entrega, desistência (distrato), cobranças.
  • Locação: despejo, inadimplência, renovação, reajuste, rescisão.
  • Condomínio: cobranças, conflitos, convenção, assembleias.
  • Herança de imóveis (que cruza com inventário).

Os públicos também variam: proprietários, compradores, inquilinos, locadores, condôminos, pequenos investidores, e também empresas (construtoras, imobiliárias, administradoras).

Um panorama jurídico mínimo para a triagem

O objetivo aqui é só orientar as perguntas da primeira conversa:

  • Usucapião. É um modo de aquisição da propriedade pela posse prolongada, com requisitos que dependem da modalidade. O Código Civil prevê várias: a extraordinária (art. 1.238, com prazo de 15 anos, que pode cair para 10 quando há moradia habitual ou obras de caráter produtivo), a ordinária (art. 1.242, 10 anos, podendo cair para 5 em certas condições), a especial urbana (art. 1.240, 5 anos, até 250 m², para moradia), a especial rural (art. 1.239) e a familiar (art. 1.240-A, 2 anos, em hipóteses específicas de abandono do lar). Cada modalidade tem requisitos próprios; confira o texto da lei e a jurisprudência.
  • Usucapião extrajudicial. O CPC (art. 1.071) inseriu o art. 216-A na Lei de Registros Públicos, permitindo o pedido diretamente no cartório de registro de imóveis, com ata notarial, planta, certidões e a anuência dos confrontantes, sempre com a assistência de advogado.
  • Despejo. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91) trata das ações de despejo, que, por exemplo, tramitam durante as férias forenses (art. 58, I).
  • Imóveis na planta. A Lei 13.786/2018 regula o distrato e a resolução do contrato de compra e venda de unidades em incorporação.

Esses pontos mostram a variedade de situações. A triagem precisa descobrir em qual delas o lead está.

A triagem: perguntas que economizam tempo

  1. 1

    Qual é a situação do imóvel?

    Urbano ou rural, casa, apartamento, terreno, loteamento.

  2. 2

    Há escritura ou matrícula?

    Em nome de quem?

  3. 3

    Há quanto tempo a pessoa ocupa ou possui o imóvel?

    Decisivo para usucapião.

  4. 4

    Como adquiriu?

    Compra, herança, doação, contrato de gaveta, posse.

  5. 5

    Há conflito com alguém?

    Vizinho, ex-proprietário, herdeiros, locatário, condomínio, construtora.

  6. 6

    Há prazo ou data marcada?

    Audiência, notificação, ação em curso, vencimento de contrato.

  7. 7

    Quais documentos estão disponíveis?

    Contratos, recibos, IPTU, contas, fotos, certidões.

  8. 8

    O que a pessoa quer resolver?

    Regularizar, vender, recuperar o imóvel, rescindir um contrato.

Em locação, acrescente: valor do aluguel, situação do pagamento, existência de fiador ou garantia, e prazo do contrato. Em compra e venda: fase em que está a negociação e se já houve pagamento.

Registre as respostas em um CRM jurídico, e veja o roteiro completo de triagem. Duas atenções:

  • Conflito de interesses. Em questões de condomínio, locação e compra e venda, as partes costumam ser conhecidas entre si. Confirme antes de aceitar qualquer lado.
  • Urgência. Despejo, leilão, execução de dívida condominial ou prazo de contrato podem exigir ação rápida. Marque a urgência já na triagem.

Identifique já na primeira mensagem se o lead quer usucapião, locação, compra e venda ou condomínio, e registre prazos e urgências.

Demonstração gratuita

O que mais pesa na decisão do cliente

Em imóvel, o cliente quer entender:

  • Se é possível. "Meu caso tem solução?"
  • Quanto tempo vai levar. Dê faixas e variáveis (cartório ou Justiça, existência de oposição, complexidade documental), sem prometer prazo.
  • Quanto vai custar no total. Além dos honorários, há custas, emolumentos, ata notarial, planta, taxas e impostos. Explique o que depende de terceiros.
  • O que ele precisa fazer. Lista clara de documentos.

Estruturar essa conversa é o que diferencia o escritório. Veja como fechar mais contratos e, depois da assinatura, o onboarding do cliente. Para honorários, o artigo sobre precificação ajuda.

Conteúdo que atrai quem procura

O público pesquisa dúvidas bem concretas. Conteúdo informativo que responde a elas é o caminho mais duradouro:

  • "Quanto tempo preciso de posse para pedir usucapião?"
  • "Usucapião em cartório: como funciona e quais documentos?"
  • "Contrato de gaveta: tenho direito ao imóvel?"
  • "Como regularizar imóvel sem escritura?"
  • "Comprei imóvel na planta e a obra atrasou: o que fazer?"
  • "Distrato de imóvel na planta: posso receber de volta o que paguei?"
  • "Inquilino não paga: como funciona o despejo?"
  • "O que verificar antes de comprar um imóvel?"
  • "Condomínio pode cobrar taxa atrasada? Quais os limites?"

Mantenha o tom informativo, discreto e sóbrio (Provimento 205/2021, art. 3º), com ressalvas de que cada caso é diferente. Checklists e explicações simples (por exemplo, "documentos para conferir antes de comprar") têm bom potencial e são úteis de verdade.

Parcerias: onde está a linha

Em imobiliário, as relações naturais com corretores, imobiliárias, construtoras, cartórios, despachantes e contadores são grandes, e aí aparecem os riscos:

  • Indicação espontânea de quem confia no seu trabalho é legítima.
  • Acordos de repasse, comissão ou contrapartida por encaminhamento de clientes configuram captação indevida e risco de infração ética.
  • Exposição de cartazes, folhetos ou "plantão jurídico" em imobiliárias ou plantões de vendas pode ser considerada forma de angariar clientela. Evite sem orientação.
  • Mala direta a proprietários, a lista de imóveis em leilão ou a moradores de loteamentos irregulares é vedada: o envio de comunicações a uma coletividade é expressamente proibido pelo Provimento 205/2021.
  • Promessa de resultado ("usucapião garantido") e divulgação de casos concretos também são vedadas (art. 6º).

Se quiser trabalhar com parceiros, formalize a relação como prestação de serviços de advocacia ao próprio parceiro (por exemplo, assessoria jurídica a uma imobiliária, com contrato e honorários), e não como canal de indicação remunerada. Veja também indicação de clientes na advocacia.

Atendimento B2B: construtoras, imobiliárias e administradoras

Há uma segunda via de captação nessa área: atender empresas do setor de forma recorrente (contratos, distratos, cobranças de condomínio, regularização). Isso se aproxima de assessoria jurídica mensal para empresas, com contratos de maior duração e receita previsível. A abordagem é diferente da do cliente pessoa física: ciclo de venda mais longo, decisão por mais de uma pessoa e foco em prevenção de riscos.

LGPD e documentos

Imobiliário envolve documentos pessoais, financeiros e patrimoniais:

  • Peça apenas o necessário em cada fase.
  • Use canal seguro e organizado.
  • Cuidado com fotos e documentos circulando em grupos de WhatsApp com corretores, vizinhos e condôminos.
  • Em questões de condomínio, evite expor dados de inadimplentes em grupos.

Mais em LGPD para escritórios de advocacia.

O que medir

  • Origem dos leads (busca, indicação, parceiros espontâneos).
  • Tipo de demanda (usucapião, locação, compra e venda, condomínio), para saber onde concentrar conteúdo e esforço.
  • Tempo entre contato e reunião.
  • Conversão por tipo de demanda e ticket médio.
  • Motivos de perda (preço, demora, escolha de outro profissional, adiamento).

Registrar essas informações permite descobrir, por exemplo, que o escritório fecha muito mais usucapião extrajudicial do que despejo, e direcionar o conteúdo para onde há retorno. Veja também indicadores comerciais para escritórios de advocacia.

Conclusão

Em direito imobiliário, o cliente chega com um problema concreto e um bem de alto valor. A captação mais sólida combina três coisas: conteúdo que responde a dúvidas específicas, triagem que identifica rápido em qual situação o lead está e conduta ética sem atalhos, que significa sem mala direta a proprietários, sem acordos de repasse com parceiros e sem promessa de resultado.

O primeiro passo prático: escolha as três dúvidas mais comuns que você ouve na primeira reunião e transforme cada uma em um artigo curto. É o conteúdo que o seu cliente já está procurando.

Para registrar cada lead por tipo de demanda e garantir resposta rápida, conheça o atendimento com IA para advogados e o CRM jurídico do AdvogaHub.

Perguntas frequentes

Quanto tempo de posse é necessário para pedir usucapião?

Depende da modalidade. O Código Civil prevê prazos que vão de 2 a 15 anos, conforme o tipo (extraordinária, ordinária, especial urbana, especial rural, familiar) e as condições da posse. Cada modalidade tem requisitos próprios; analise o caso e a lei vigente.

Usucapião pode ser feita em cartório?

Sim, a usucapião extrajudicial é prevista no art. 216-A da Lei de Registros Públicos, com ata notarial, planta, certidões, anuência dos confrontantes e assistência de advogado. Se houver impugnação, o procedimento pode ser levado à via judicial.

Advogado pode fazer parceria com imobiliárias para receber clientes?

Indicação espontânea é legítima, mas acordos de repasse, comissão ou contrapartida por encaminhamento configuram risco de captação. Uma alternativa é prestar assessoria jurídica à própria imobiliária, com contrato e honorários, sem repasse por indicação.

Posso mandar mensagem a proprietários de imóveis ou a moradores de loteamentos irregulares?

Não. O envio de mala direta ou comunicações a coletividade para oferecer serviços é vedado pelo Provimento 205/2021. O contato deve partir de quem procura o escritório.

Posso divulgar casos de usucapião que ganhei?

Não é recomendável. O Provimento 205/2021 veda a promessa de resultado e o uso de casos concretos para oferecer serviços, mesmo sem identificar as partes.

AdvogaHub

Triagem por tipo de demanda, com resposta na hora

Veja como o AdvogaHub responde na hora, coleta o essencial do imóvel e deixa tudo registrado para o advogado, em uma demonstração gratuita de 20 minutos pelo WhatsApp.

Solicitar demonstração gratuita de 20 minutos